No momento do acidente estávamos em Tamarindo tentando vender uns bikinis e também acertar uma próxima remessa para o Wilber conseguir sair de Pavones. Sabíamos que sua grana estava apertada, pois a temporada de ondas em Pavones já tinha chego ao fim. E foi isso que o fez lagar a utopia de Pavones para tentar um trabalho em outra praia. Recebemos um email falando do acidente mas sem muita informação. Passamos um dia tentando saber onde ele estava e descobrimos que estava em um hospital na cidade de Punta Arenas. Pegamos o primeiro ônibus do dia seguinte. Rodar 140 km por seis horas na incerteza de que nosso amigo estaria bem não foi nem um pouco fácil, pois permanecemos na dúvida e não sabíamos mais o que fazer. Quando chegamos no hospital ficamos sabendo que ele já estava a caminho de San José para pegar um avião rumo ao Brasil.
Depois falamos com sua família e soubemos que ele já estava bem e a caminho do Brasil. Queríamos vê-lo antes de sua volta mas infelizmente não deu. Fica aqui nosso abraço.
A todos que querem conhecer países de terceiro mundo vai a grande dica: os melhores preços nem sempre são os mais seguros, e ficar esperto com as locadoras de carros, porque a frota de veículos da Costa Rica não se encontra em boas conservações por causa das estradas. Já fiquei sabendo de alguns acontecimentos como o de um carioca que atravessava a serra de la muerte, que tem mais de 3000 mil metros de altitude, e ficou sem freio na descida por falta de um simples fluído, onde colocou em risco sua vida, a do filho e mais um amigo.
Wilber também teve um caso emocionante no Equador, um grande buraco na estrada causou um tombamento no ônibus que os traziam a América Central. Thiago teve um corte na testa, pois uma senhora gorda caiu em cima dele. Por isso a jogada é sempre usar o transporte coletivo de dia, os belos visuais transformam a viagem agradável e segura. Mas não pense que tudo é legal, algumas poltronas são muito apertadas. Já passei algumas horas de pura tortura, com o joelho travado na poltrona da frente! Sem falar nas roubadas causadas por carregar as pranchas. Os motoristas sempre querem cobrar taxas extras e alguns nem deixam a gente subir nos ônibus.
Já no Panamá as estradas estão em melhores condições, mas o risco de acidentes se torna grande por imprudência dos motoristas. E nos faz pensar neste turismo desorganizado que será criado no Brasil com a expectativa da copa do mundo. E recordar dos dias vividos em Bocas Del Toro onde as lindas águas se enchem de lixo e as ruas revertem bactérias por falta de rede de esgoto. Também tem os ratos que infestam as ilhas. A luta contra o buraco dos ratos no nosso quarto durou, mas no fim vencemos. Foi o que nos fez dar mais valor a nossa cidade Curitiba, e ver que mesmo com o grande crescimento da população ela ainda está organizada.
A Pan-Americana é uma estrada muito longa, corta vários paises e tem um fluxo alto de grandes caminhões. Transitar por ela é emocionante e tudo torna a ser uma grande aventura, pois muitas vezes estamos na incerteza de chegar, por não ter mais ônibus e por ser uma pista perigosa de trafego pesado e sem acostamento. Seguir um projeto como este sem apoio nenhum, sempre nos deixa na duvida se vamos conseguir, mas esta incerteza nos da mais força para seguir adiante nossa longa caminhada.
Ficamos tristes pelo retorno do Wilber e também por estarmos tão próximos, e não poder ajudar. Mas felizes por saber que está bem, e vendo a vida com outros olhos. E por isso fica a certeza de que o projeto Panamerikah é muito difícil de terminar, mas emocionante de ver, e aonde vai chegar só Deus pode saber!

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