O dia começou nebuloso e o horário combinado era as sete. Fui para o hotel para fotografar uma equipe de profissionais de uma marca chamada RVCA que estava por aqui, mas como essa galera que vive do surf não agüenta esperar nem amanhecer, cheguei na recepção e a mulher me falou que o carro da equipe tinha saído as seis da manha. Mas como? Nós iríamos de barco! Era isso o combinado, mas eu e o barqueiro Martins acabamos sobrando nessa.

texto e fotos: Cristiano
 
 
 

Regressei para casa bem desanimado, não tinha mais o que fazer, só restava tomar um café. Sai de casa para comprar algo para comer ainda com a mochila com a câmera nas costas e encontrei um amigo bem em frente de casa e começamos a conversar, ficamos por mais ou menos dez minutos ali e depois seguimos em direção a praça da vila. No meio do caminho encontramos as duas caminhonetes que andavam com a equipe dos prós e nisso pararam para me chamar. Já estavam voltando da queda e falaram que as praias de areia estavam sem condições de surf, devido ao tamanho das ondas. A melhor alternativa era conferir os reef breaks.

Entrei na jogada de novo e fomos nos preparar para sair de barco. E pior que não foi fácil achar um novo barqueiro, afinal a onda onde iríamos fica num canal sinistro e não é qualquer barqueiro aqui que tiene huevos para parar o barco no canal e ficar esperando o surf.

Surgiu aquele telefonema tão esperado. Scott, um local amigo nosso nos informando que ele já estava no pico e a lendária onda de Silverbacks, normalmente surfada de tow-in, estava funcionando a milhão. Calma ai, não tem mais jet ski! A Red Bull tirou o patrocínio porque esta onda só aparece uma ou duas vezes ao ano. Essa queda teria que ser na remada mesmo. Fomos conferir então. Quando chegamos no local, as ondas estavam impressionantes, na minha vida nunca tinha visto ondas deste tamanho tão perto.

Já havia quatro pessoas na água, e neste momento surgiu a primeira série de ondas de verdade mesmo que deixou todos do barco eufóricos. Matt Archbold, um surfista gringo já meio coroa, era o cherifão da equipe dos prós e foi o primeiro a agarrar sua prancha e cair na água. Pra quem surfa Pipeline com 15 pés , 10 pés em Silverbacks deve ser diversão. Seu filho Ford de apenas 16 anos demorou quase 1 hora para entrar na água, junto com os outros dois surfistas mais novos da equipe.

No barco ficou o fotografo Steve Shermam, da revista americana Surfing, o cinegrafista que acompanha a equipe, e eu para registrar este momento mágico. Claro que junto com nosso barqueiro, que realmente mostrou que tiene huevos, porque soube posicionar o barco no meio da correnteza bem em frente as ondas, e nos ajudou a ter um material quase inexistente aqui no Caribe.

Está onda só quebra bem de vez em quando. Esse ano foi a primeira vez que funcionou forte pra valer. Ter a oportunidade de registrar um momento desses, ainda mais com os profissionais na água, principalmente com Matt Archbold que foi o único que teve a moral de tirar altos tubos, vai demorar a acontecer de novo.

Gracias ao grande amigo Julio, dono da loja de surf FLOW, que nos convidou para acompanhar a equipe, pude produzir um material que ninguém tinha aqui no arquipélago. Agora está o maior rebuliço aqui, todo mundo quer ter essas fotos. Mas o lance é que tudo na vida tem um preço. Porque Silvebacks deixa todos que vêem as fotos quase sem palavras.

 

 

 
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