Pra começo de conversa, devido ao teclado gringo, a acentuaçao das palavras esta uma merda, gracias.
Depois de ficar um tempo meio infurnado trabalhando no caribe resolvi fazer uma trip meio correria, saindo de onibus sozinho do Panamá até El Salvador. Tinha me programado pra passar 14 dias nessa, sendo que uns 4 seriam dentro de ônibus ida e volta pra atravessar mais uma vez Costa Rica, Nicaragua, Honduras e chegar na capital de El Salvador, San Salvador, e de la descer a serra ate a cidade portuaria de La Libertad, onde, segundo minhas lembrancas de materias na Fluir que eu ja tinha lido, quebrava essa tal onda, que era uma direita sinistra, uma das ondas mais longas da America Central e que nessa praia a vibe era meio trash pela pobreza do local.
Desapeguei de toda bagagem que eu nao precisaria. Deixei meu laptop e a camera pro com o Cristiano pra ele continuar trabalhando com fotos. Todo nosso quiver de pranchas desapeguei também, vendemos umas pranchas, o Cristiano ficou com uma Ricardo Martins que o Zeh regalou pra gente e ainda mais outra, e eu peguei so uma seiszerinho casquinha de ovo que tinha acabado de adquirir. Sai leve e encarei os dias de viagem dentro do onibus.
Os anos de guerra dos anos 80 e 90 deixaram muitas armas em El Salvador, e a escassez de oportunidades para a populacao, os obriga a fazer uso do poder de acao que que essas armas podem exercer. Portanto a dica era evitar sair a noite ou andar com objetos de valor. Como eu estava sem nenhuma posse mais cara que me desce preocupacao fui tranquilao, so com uma camerazinha compacta pra tentar registrar alguma coisa.
Chegando em La Libertad encontrei bem isso mesmo. A pobreza aqui era mais pobre do que eu estava acostumado por que a cidade era urbanizada e superpopulada , ao contrario das paisagens rurais de Nicaragua ou Guatemala. A impressao que eu tive é que nas cidades rurais sem “desenvolvimento” urbano, a pobreza da America Central nao afetava tanto a populacao, pois ela parecia viver e harmonia com a natureza mesmo sem recursos criados pelo homem. Ja numa cidade, com predios, asfalto e concentracao populacional, a pobreza realmente se torna um problema, pois aqui o homem nao encontra harmonia com o meio em que vive e ai sim passa necessidade.
Bem, cheguei la e ja peguei um hotel que apareceu pela frente. Rooteza. Meu quarto com telhado de zinco virava um forno com o sol trincando durante o dia, e ficava cheirando parafina derretida. Mas era pertinho da onda. A praia tinha um pier grandao do lado esquerdo, e do lado direito a praia de pedra que formava a quilometrica direita que entrava na bahia.
Eu tinha alinhado a trip meio que com um swell que ia entrar junto com uma lua cheia. Tiro certeiro. Cheguei com o mar baxinho e surfava umas ondas que formavam dentro da bahia. Na agua eu era o unico de fora e os locais ficavam meio que me encarando, diziam pra eu nem ir pro pico, que ainda era bem pra longe na bancada, por que la era so pra surfista local. No segundo dia ja estava dentro da casa dos locais que deviam ser a bandidagem da area, tomando uma bera e fazendo a frente da firma pra nao ser roubado por eles mesmos.
La pelo terceiro dia o mar começou a crescer e as ondas quebravam cada vez mais pra tras da praia de pedras. La pelo quarto dia, quando ja parecia que mais pra frente estava quebrando mesmo, dai sim eu fui pro pico e vi La Punta Roca quebrando lindo, umas direitas bem alinhadas e tubulares. Um nativo que eu tinha conhecido antes me indicava a entrada por entre as pedras, soh pedras alias, nada de canalzinho. Vai entrando pelo meio das pedras ralando a canela e pulando a série. Mas dentro da agua era soh alegria.
Depois de uns tres dias o mar cresceu muito e ficou alucinante, com uns tuboes bem abertos e um terralzao. No primeiro dia grande, a crowd era pouca e eu ficava na preferencia do pico constantemente. La atras do pico a onda quebrava uma primeira secao punk, se dropasse eu nao completasse certeza que ia mergulhar no meio das pedras. Mergulhei algumas vezes e ralei minha costela quando abracei uma pedra la do fundo. Mas tambem tirei um tubao irado, entao valeu o preco.
Ja nos outros dias grandes veio nego de toda El Salvador e a crowd no pico ficou pesada, com so uns tres gringos na agua alem de mim. O negocio era respeitar mesmo e esperar a sobra, porque confusao la naquele pico coisa boa nao pode ser. No meio da onda tinha uma secao que era um cemitério, e no muro do cemitério tinha uma pixacao alertando os gringos. Mas apesar do localismo rolou uns 6 dias de altas ondas, todo dia maior e maior.
Meu ultimo dia em La Libertad era tambem o dia em que completava um ano de trip minha na America Central e nao queria passar no meio de um crowd absurdo. Peguei um onibus de 30 centavos junto com um israelense e fui pra outra praia buscar algo diferente. Pulamos pra fora em cima de um penhasco, avistando Sunzal, uma direita que quebrava la em alto mar e vinha abrindo ate uma praia de pedrinhas. Normalmente é uma onda ruim, cheia, mas nesse dia estava rolando uns 10 pés de onda tipo big rider e o drop garantia a adrenalina. La estava eu nesse mar com minha seiszerinho casquinha e ainda sem uma quilha que deixei quando entrei pelas pedras. Descia as ondas quicando, mas foi irado sentir a força da massa de agua que vinha com as ondas.
Logo depois da queda peguei o onibus pra San Salvador e me preparei novamente pra tres dias de viagem para voltar até Panama City. Dentro do onibus pensava nos dias que tinha acabado de viver. Mais uma vez Netunao velho nao decepcionou e mandou as ondas, matando minhas saudades do Oceano Pacifico.
Na volta acabei sendo assaltado finalmente. No onibus dei uma bobeira e algum espertinho levou a unica coisa que eu tinha, a camerazinha. Mas tambem levou um cd que eu tinha pego de um gringo com altas fotos, isso doeu.. Pra botar aqui no site sobraram algumas fotos de um outro chip que eu tinha na mochila e que nao levaram e também as fotos que ja tinham ido pro Orkut, ha.
Mas agora o surf vai ter que dar um tempo. Esse life style de sair dropando onda e botando foto na web sai caro, e um aninho de surf foi pesado. Tenho que trabalhar pra erguer a firma novamente e dar um jeito na situacao. O processo é lento. Hasta Luego.

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