Saímos da Nicarágua em novembro e depois de ficar um mês andando de ônibus por aí, decidimos fazer o certo. Voltar pro Caribe e pegar a temporada de ondas que começa agora em dezembro. Aqui em Bocas instalamos novamente base pra ficar mais um tempo curtindo a vibe rasta e os corais afiados do arquipélago.

fotos: Cristiano da Luz & Roland Roderjan
 
 
 

Ter passado dois meses aqui fora da temporada e imaginar a força do lugar na hora que entra um swell bonzão foi de doer. Mesmo assim íamos para o México nos adiantar um pouco no roteiro da viajem. Mas problemas burocráticos consulares relacionados à paranóia imperialista de autodestruição e sua influência política em países subordinados do terceiro mundo nos impediram de seguir nosso caminho. Não tem problema, Bocas del Toro estava nos chamando de volta e dessa vez não saímos daqui antes de ver a coisa funcionando mesmo.

Alugamos uma casa legal na Isla Cólon, onde tem a cidadezinha principal da região. Dessa ilha saem os barcos em busca dos picos de surf que tem por aqui. Espalhadas pelas ilhas, várias bancadas de coral produzem boas ondas com diferentes características. Dependendo da força do swell e das espumas que conseguimos ver de longe em uns picos próximos, fazemos a aposta em qual ilha vai estar melhor, pulamos dentro de um barco e vamos conferir a real situação.

Logo em frente, na mesma ilha, mas do outro lado de uma baía, está Paunch, uma bancada de coral meio protegida, rasinha no inside e com umas ondas abrindo maciotas. Paunch foi nossa principal opção nesses dias que já passamos aqui. Sem nenhum marzão bom, mas sempre com alguma coisa. Bom pra pegar o jeito.

O empenho de Paunch é ir surfar a pé. Dá pra ir de barco também, mas as vezes acaba não rolando ou não valendo a pena, pois gasolina sai caro aqui também. A pé é uma caminhada básica de duas horas numa estrada de terra desgraçada, com umas partes inundadas até o joelho. Chegando na vala, o lance é esconder as coisas no mato e entrar caminhando pelo coralzinho afiado.

Também fomos a Paunch para trabalhar tirando umas fotos do surf dos turistas. A bancada de paunch é bem definida, e como nosso capitão conhece bem o coral, conseguimos ficar tirando fotos no barco estacionado bem do lado das ondas, no canalzinho. Fica legal, a turistada gosta e assim dá pra manter o sustento em Bocas, alternando surf com trampo nos dias bons.

A galera local daqui já é parceira, não pagamos mais preço de turista nos barcos, vamos com o barquinho da raça mesmo, só rachando a gasosa. Sempre chegando na humildade, conhecendo as pessoas como fazemos é a melhor maneira de ser bem tratado em qualquer lugar do mundo. O problema é que brasileiro muitas vezes é mal visto nesses lugares por que sempre chega num grupo muito grande e não respeita muito as normas do local. Pra quem for viajar com a galera do surf, por favor aí, se controlem pra melhorar nossa imagem.

Quando as ondas estão mais fortes começa a funcionar uma esquerda comprida atrás da Isla Carenero, que fica em frente a nossa ilha. Essa onda já é mais cavada, com uns tubos bons, e também é mais fácil de chegar sem gastar dinheiro. É só pegar a prancha, atravessar remando até essa ilha e andar meia hora entre os pântanos e praias até o outro lado e mergulhar antes que os mosquitos te devorem.

Fim de ano chegando e continuamos na expectativa do próximo swell. O que os rastas nos garantiram é que já em dezembro é pra entrar umas ondas fortes, com janeiro e fevereiro com umas bancadas violentas que só quebram nos dias mais sinistros. De qualquer maneira seguimos pela sombra com o conforto de finalmente ter uma geladeira na casa e com a viajem seguindo seu rumo para 2008. Temos até celular, 00 507 6462-8176. Liga ai.

 

 
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