Depois de passar um bom tempo em frente ao Pacífico, resolvemos cruzar o continente e conhecer os mares do caribe, rumo ao Arquipélago de Bocas del Toro. Atravessamos a fronteira entre Costa Rica e Panamá e pulamos a cordilheira que chega até os três mil metros de altura para poder pegar o barco que nos levaria até as ilhas. Mesmo sabendo que a temporada de ondas no caribe ainda não tinha começado, precisávamos de um lugar mais desenvolvido para podermos nos estruturar antes da subida até o México e passar um tempo aqui não nos pareceu má idéia.
texto e fotos: Roland Roderjan
 
 
 

Bocas del Toro está localizado no norte do caribe do Panamá e como a parte caribenha da Costa Rica, foi colonizada por muitos descendentes de jamaicanos e andando pelas ruas já se pode sentir a diferença nas pessoas do lugar em relação ao pacífico. O idioma aqui mistura o espanhol com o inglês vindo da Jamaica e se transforma no Patuá , língua utilizada entre os nativos e que ainda estamos tentando compreender.

Dreadlocks balançam nas cabeças dos rastafaris nas noites de reggae das ilhas e emanam as boas vibrações para os muitos turistas que passam por aqui. Pessoas de todo mundo vêm a procura das belezas do lugar e até Cristóvão Colombo, quando descobriu o arquipélago em sua terceira viagem ao novo mundo, no ano de 1502, já deve ter achado o lugar bacana. A água é super cristalina e o fundo de coral dá cores e vida ao mar, criando bancadas perfeitas para o surf. Mas a temporada de ondas ainda não começou, e conseguimos surfar apenas algumas merrecas um dia ou outro. De qualquer maneira super divertidas.

O dinheiro movimentado pelo turismo está fazendo Bocas se desenvolver muito rápido. Novos mega hotéis estão pulando do dia pra noite e problemas causados pela exploração excessiva de um paraíso como este já perturbam o dia a dia no lugar. Um lixão está no caminho de Bluffs, um pico de surf da ilha, e nos faz pensar se vale a pena uma boa queda ali. O trânsito na rua em frente a nossa casa é caótico, com os taxistas correndo de uma maneira não compatível com uma ilha turística como Bocas, e o grande problema da água potável já está aqui. Água no chuveiro só das seis as oito da manhã e com sorte no fim da tarde, se não é de baldinho.

Com o problema do derretimento das calotas de gelo polares, um arquipélago como este pode ser o primeiro lugar a ir para o fundo do mar, mas aqui parece que ninguém sabe disso e continuam gastando gasolina com gosto. Acelerando suas caminhonetes americanas e contribuindo para seu próprio destino.

Eu e o Cristiano já nos ambientamos com a cidadezinha, e já conhecemos muitos loucos da ilha. Onde moramos dividimos a casa com seis rastafaris, que escutam reggae o dia inteiro e seguem os preceitos de sua religião, que diz que o rasta deve estar sempre sóbrio e preparado como um guerreiro. Assim como eles, encontramos muitas pessoas que estão viajando pelas Américas e ganhando a vida como artesãos nas ruas. Produzindo um bom trabalho, conseguem pagar suas passagens e ter a viagem de suas vidas na bagagem.

As caronas aqui são as mais sinistras, pulando na caçamba dos motoristas malucos, as vezes dento do caminhão de lixo mesmo. A diferença de qualidade de vida de Pavones na Costa Rica, onde estavamos, para aqui é grande, mas a vida até que é boa. O custo de vida pelo menos não é tão caro, de orçamento tentamos gastar cinco dólares por dia em alimentação para os dois. Para atravessar de uma ilha para outra de barquinho cobram cinquenta centavos de dólar, mas sempre optamos por passar remando. "Prancha de surf como meio de transporte".

Ficamos aqui mais um mês para vermos se pegamos ao menos um bom swell vindo dos furacões do caribe, e também de olho no pacífico, pois daquele lado o mar está bombando e Santa Catalina até que não é tão longe daqui. Também estamos tendo um bom trabalho para lançar este projeto, e esperamos que em um mês tudo já esteja encaminhado para podermos seguir viagem. Aqui vivemos uma vida simples, mas de qualidade, já aprendemos a tratar a água e tentamos otimizar tudo que podemos pensando em nosso dinheiro e também na preservação dos recursos naturais . A balada é que pega forte e quebra nosso orçamento, mas está tudo se encaminhando então ficamos tranquilos. Jah bless.

.:Passagens anteriores:.

-A utopia de Pavones.08.09.07

-Do outro lado do golfo.16.08.08

-PANAMERIKAH.16.09.07

 

 
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